terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Testemunho especial...


Nasci em Janeiro de 1986, na Casa de Saúde da Carreira. Era para ser no dia de Reis mas adiaram para o dia seguinte. Dizem que era um bebé rechonchudo e comilão.
Apenas com 4 meses começaram as dúvidas em relação à minha doença. Os meus pais andaram comigo de um lado para outro… da Madeira para Lisboa, depois Coimbra, ainda foram a Londres e, desde o momento em que disseram que eu era perfeitamente normal até ao veredicto, passaram-se alguns meses. Foi em Essen, na Alemanha, que confirmaram o que o Dr. Rui Vasconcelos (que na altura estava no Hospital Pediátrico de Coimbra) já suspeitava: tenho esclerose tuberosa, uma doença cerebral degenerativa e que tem, como uma das consequências, as crises epilépticas, no meu caso nocturnas. Isso fazia-me sofrer e eu, na altura, não sabia do que se tratava… julgava que eram apenas pesadelos. A minha família tardou um pouco em dizer a verdade completa, talvez por eu ser muito novo e não saberem qual seria a minha reacção.
Em relação à escola, frequentei o Infantário dos Louros. Quando saí de lá fui para a pré-primária na Escola Básica do 1.º Ciclo da Cruz de Carvalho e depois para a Escola Básica do 1.º Ciclo dos Ilhéus, onde estive desde o 1.º até ao 4.º ano com a Prof.ª Guida, com quem aprendi muita coisa e que me deu as bases para ser bom aluno.
Pelo caminho, fui apoiado por vários docentes da Educação Especial. Gostei em especial da professora Águeda e por isso fiquei com ela até ao 12.º ano.
Do 5.º ano até ao 12.º ano (passei os anos todos seguidos sem perder nenhum, felizmente para mim) estive na Escola Básica e Secundária Gonçalves Zarco. Lá, fui sempre bem tratado pela Direcção e pelos docentes mas, infelizmente, nem sempre aconteceu o mesmo por parte de alguns dos meus colegas do 2.º e do 3.º Ciclo. Não me respeitavam e humilhavam-me. Como sabiam que eu era sensível e chorava facilmente, faziam de propósito para eu me zangar. Até que um dia o meu pai foi à turma falar com eles, deu-lhes um belo sermão e, felizmente, depois disso nunca mais voltaram a fazer o mesmo.
Já os colegas do Secundário eram mais divertidos e eu gostava imenso de conversar com alguns deles.
Em relação às disciplinas, eu gostava bastante do Inglês, da Educação Física e também um pouco da Matemática apesar de ter fugido dela no 10.º ano. Mas, era na Informática que mais me destacava. Sempre que havia alguma disciplina com computadores, lá ia eu tirar notas altas. Nos exames, safei-me logo à primeira.
Uns tempos depois eis que surgiu o trabalho e imaginem onde… logo na Direcção Regional de Educação Especial e Reabilitação, quem diria! Justamente com quem me tinha dado apoio.
A minha paixão hoje em dia é a música. Não posso viver sem ela. Adoro cantar, gostava de um dia ser artista, quem me conhece sabe bem que é isso que eu quero e sabe que não desisto daquilo que mais desejo, mesmo que a missão pareça impossível. Já cantei em vários concursos, ganhei a “Melhor Voz de Santa Cruz” e participei nalguns concursos de karaoke, de entre os quais destaco o Campeonato do Mundo que teve lugar na Finlândia, onde representei Portugal.
Aproveito para manifestar o meu carinho e reconhecimento por todos aqueles que gostam de mim e estiveram comigo desde sempre e desejo a maior coragem àqueles que hoje em dia ainda lutam pelos seus objectivos, seja na escola, na música, na profissão, na família. Desistir, nunca! Quem desiste, nunca chega lá!"
De Alexis Fernandes
In: Revista Diversidades

Sem comentários:

Enviar um comentário